1) Ha1.Hails guerreiro Flávio, gostariamos de saber como se deu início a horda Torqverem e qual é o significado do nome para você.
- V. A. Necrovisceral: Saudações Daniel! Agradeço pela oportunidade, aqui poderei expor um pouco mais sobre meu obscuro universo. O início da Torqverem se deu antes mesmo de eu saber o que ela significava! Dentre as minhas perturbações e filosofias, essa expressão acabou nascendo e tomando forma, e coloco o ano de 1998 e.v. em Araraquara\SP como ponto de partida quando iniciei as manifestações físicas com os riffs e textos que deram a base para que em 2002 e.v. em Porto Alegre\RS a Torqverem emergisse das profundezas! A Torqverem expressa sua arte como uma entidade nesse plano, no início era algo particular, expondo minhas perturbações e o ódio crescente que criava pela realidade coletiva cancerosa que o ser humano proporciona como masturbação da sua dolorosa existência, então foi natural tudo isso explodir através da TORQVEREM, mas como já disse, era algo íntimo (fizemos apenas uma apresentação em 2005 e.v. na colônia germânica de Santa Cruz do Sul\RS e todos os registros até essa data estão em meus materiais particulares, nunca cogitei tornar a Torqverem uma “banda” ou qualquer coisa parecida), a Torqverem acabou expandindo para o “público” só a partir de 2006 e.v. quando fixei em Sousas\SP e decidi expor a obra que cada vez mais crescia e notava as pessoas se aproximando e tendo afinidade, o próprio álbum Vber Crvciatvs foi gravado apenas para que tivéssemos o registro e não esquecêssemos das composições, e anos mais tarde foi lançado como full-lenght e acabou dando certo. O nome Torqverem é uma criação a partir do latim do verbo torqvere (torturar), que modifiquei adicionando o gerúndio do português para dar certa “fluência” e transformar a antiga palavra em “torturando...” e nasceu o nome TORQVEREM.

2. Com apenas duas demos e um full length o Torqverem se tornou uma das hordas de Black Metal mais importantes do país. Como se dá o processo de composição e ensaio?
- V. A. Necrovisceral: Agradeço pelo reconhecimento, interpretamos como uma verdadeira guerra expor as criações da Torqverem ao público, mas acredito que o fato da Torqverem ser sincera e fora dos padrões ajuda a agregar mais força em nossa arte e filosofia, me esforço para traduzir na linguagem dos instrumentos e vocalizações o odioso abismo que alimento dentro do meu ser, acredito que a arte no oculto metal extremo não tem padrões, muitas bandas só querem aparecerem e usarem a “cena” como auto afirmação para suas fraquezas e vícios, alimentando seus egos podres, eu faço o que está dentro de mim, não penso! O som da Torqverem não é racional.... Simplesmente flui, e quanto mais podre, odioso e caótico melhor! Pois estou espalhando o meu universo para que outros também possam se identificar, pois a destruição, o medo e o caos são naturais ao ser humano! Por isso digo que os sons na Torqverem são individualistas, e cada um absorverá de acordo com sua realidade e interpretação do universo, sempre através das frias lâminas do abismo interno (e é por isso que muitas das nossas composições são tão “subjetivas”), já ouvi muitos rotularem nosso som como “caótico e perturbador”, e é isso mesmo que quero passar! Sou eu quem compõe na Torqverem desde o início, mas hoje em dia já consigo deixar algumas linhas de baixo na mão do Iser que me ajuda muito nessa nova fase (inclusive na estabilidade psicológica), no caso os ensaios são na minha casa onde mantenho um estúdio para facilitarem as coisas, e caminhamos na medida do possível.

3. Vocês deram um tempo de shows há alguns meses atras, mas agora estão de volta ativa. O que ocorreu?
- V. A. Necrovisceral: Problemas com a formação, a Torqverem é intensa a não é para qualquer um! Não “viramos” a Torqverem apenas nas apresentações e quando gravamos! Não somos uma banda, enxergo a Torqverem como uma expressão sincera que se manifesta na forma de entidade pela energia que depositamos nos instrumentos e vocalizações, e a responsabilidade (e o peso) é grande! Se o equilíbrio tênue for quebrado fica impossível, e eu vivo isso 24h por dia... E exijo que as coisas sejam dessa forma, senão é impossível fluir e manifestar a nossa arte.

4.Quais são os projetos para novos shows?
-V. A. Necrovisceral: Após a celebração em homenagem aos 20 anos do Mausoleum no final do ano (2014 e.v. em Piraju\SP), passaremos por uma reformulação e o foco será exclusivo no próximo álbum, eventos estão em segundo plano, mas serão devidamente agendados, pois acho que nos expressamos muito bem pessoalmente, e gosto de expor “face a face” o que fazemos para que não haja nenhuma dúvida em nossa proposta, mas o foco agora é registrar mais um álbum.

5. Qual foi o melhor e o pior show que vocês fizeram?
- V. A. Necrovisceral: É complicado falar sobre isso, principalmente estando no meio underground, além disso, nossas apresentações são imprevisíveis tanto pela estrutura quanto por nós mesmos. Já tocamos em lugares onde o palco balançava e tinham buracos, ou a aparelhagem era um lixo, mas a energia de quem estava presente compensou tudo isso e o ódio canalizado gerou uma manifestação tão densa que as adversidades serviram como mais força na própria apresentação, a Torqverem é isso! Muitas vezes durante a celebração vejo o público parado e frio, mas essa é a nossa filosofia! Gerar a destruição interna e alimentar os abismos em toda sua natureza (mental, astral, física e psíquica), é a canalização da energia pura seja ela qual for para que nossa meta seja cumprida, então olhar nos olhos dos presentes e ver o profundo vazio gelado compensa qualquer adversidade. Já tiveram apresentações onde usamos sangue e as cordas da minha guitarra grudaram e o som abafou, mas o desespero e caos presentes compensaram de forma que o público captou qual era a nossa proposta, não tocamos bonito, somos um catalisador para que o abismo seja manifestado e seu papel seja executado.

6. Conte-nos sobre os planos pois os fãs na America do Norte e na Velha Europa gostariam de saber quando ocorrerá uma invasão de vocês em terras estrangeiras para que os gringos finalmente possam sentir a fúria do Black Metal.
- V. A. Necrovisceral: Nosso material foi muito bem aceito pelos europeus principalmente, cheguei a ver a nossos álbuns sendo vendidos no Leste Europeu por um preço alto e com ótimos comentários, e até a demo que distribuí sem nenhum custo aqui no Brasil estava sendo vendida por lá e não demorou muito para acabar! O curioso é que meu foco nunca foi esse, aqui no Brasil existe muita dificuldade na distribuição e valorização dos materiais, acho uma putaria essa filosofia de que a banda é “mais foda” se já tocou fora do país ou lançou seus materiais na puta que pariu, nós já tocamos fora do país, mas fomos convidados! Eu nunca vou me apertar para tocar em qualquer lugar que seja se não formos convidados e tivermos nossa arte reconhecida, acredito que existe uma escadaria lenta a ser percorrida para que o reconhecimento aconteça e não vou forçar, sou muito fechado quanto a contatos e na distribuição dos meus álbuns, ainda passo de “mão em mão” as cópias, e aos poucos as coisas estão acontecendo! Estou aberto a negociações e convites, minha meta é atingir as pessoas que têm afinidade com a arte que produzo de forma sincera, e seria uma grande honra tocar e apresentar nossa filosofia onde quer que seja! Mas quando existir estrutura para isso, porque nunca vou tocar na Noruega por exemplo apenas para dizer que tocamos por lá, aqui no Brasil já tenho essa postura, tocamos apenas onde somos convidados e valha a pena para nosso fortalecimento, nunca por tocar... Um convite para tocar em outro país seria o reconhecimento do meu trabalho e algo natural que pode acontecer, ou seja, uma grande honra e satisfação que poderá acontecer na hora certa e da maneira certa.

7. Como você ve a cena Brasileira e Mundial do Black Metal hoje em dia? Quais hordas você destacaria?
- V. A. Necrovisceral: A cena brasileira é fortíssima no quesito de bandas e criatividade, temos um “celeiro” muito precioso e invejado lá fora, mas falta estrutura! Esse é um reflexo da própria cultura e estabilidade do país, acredito que existam “ilhas” que ainda consigam se sustentar dentro da “cena” Black Metal (e aqui no Brasil mantivemos a essência mais pura do Black Metal, de resistência e oposição! Outros países já desenvolveram um senso crítico e absorveram essa filosofia em seu dia-a-dia, popularizando essa postura, mas aqui somos literalmente a RESISTÊNCIA). Tento agregar o que está ao meu alcance para fortalecer a Torqverem e os meus aliados, fazendo uma rede de contatos e apoio com quem acredita e vive isso em todas as regiões do país. Quanto a cena mundial tenho pouco a falar porque não acompanho e não tenho contatos para ter opinião, mas como eu já disse, sinto como se por lá as coisas fluíssem melhor pela própria cultura e estrutura que possuem. Posso destacar as hordas que são as minhas aliadas e confio, como Mausoleum, Hecate, Defacer, Incredulus, In Nomine Belialis, Wodanaz, Poeticus Severus, Morte Negra, Kaziklu Bey/Herege, Lord Satanael, Vultos Vociferos, Patria, Crucificator, Black Achemoth, Vulturine, Spell Forest, Bestymator\CRUE, Pactum\Primordial Idol, Iron Woods e Black War... Existem várias outras, mas foram essas que vieram agora em mente, algumas já não existem, mas mantenho contato com seus membros que ainda estão na ativa.

8.Existe alguma nova gravação nos planos do Torqverem? Qual é a line-up atual?
- V. A. Necrovisceral: A Torqverem possui um problema grave quanto a concretização dos álbuns, talvez seja herança da falta de divulgação da nossa arte publicamente, mas também pelas dificuldades na estabilidade da formação, aos poucos estamos corrigindo essa “lacuna”, lembro que nosso primeiro álbum Vber Crvciatvs foi uma compilação do que compus entre 1998 e 2007 e.v., e lançado apenas em 2011 e.v.!! E já tenho mais 7 composições completas aguardando a manifestação na forma de um novo álbum previsto para a segunda metade de 2015 e.v., pretendo a partir dessa nova fase dar continuidade com as gravações e não deixar tanto material se perder ao longo do tempo. Adianto que a formação atual sou eu na guitarra e vocais e o Iser no contrabaixo, e um novo percussionista já está a caminho para que todo esse planejamento se manifeste!!! O ano de 2015 e.v. será um grande ano para nós e cheio de projetos para que nossa arte finalmente se espalhe e a guerra oficialmente seja declarada!

9. Se vocês tivessem que escolher entre algumas hordas para gravar um glorioso split, qual seria o formato e qual seria a banda Nacional ou Internacional?
- V. A. Necrovisceral: Tenho planos de gravar um material em vinil, ainda não participamos de nenhum split (exceto coletâneas) por não terem aparecido oportunidades viáveis, mas em breve essa ideia irá se concretizar, e a resposta estará disponível assim que sair o material fisicamente, por enquanto são apenas planos.

10. O que o futuro reserva para a horda e para a legião de seguidores?
- V. A. Necrovisceral: A horda amadureceu ao longo dos anos, nosso som e filosofia se aprimoraram, aumentamos a influência e nossas alianças, mas também passamos por problemas na formação que acabaram atrasando e desestabilizando alguns dos planos (ao mesmo tempo que nos endureceram e prepararam para uma guerra ainda maior), meu foco sempre esteve na manifestação e explosão da extrema arte oculta, e nada ficará em meu caminho. Hoje posso dizer que a Torqverem está de pé e com as armas em punho! Criamos uma entidade com energia canalizada por um ideal, e as transformações já estão começando neste ano de 2015 e.v. com o lançamento do nosso álbum com sons inéditos (exclusivamente da nova fase após 2008 e.v.), e iniciaremos uma etapa ainda mais agressiva para a horda. E que seja celebrado o grandioso funeral da criação... VANA EST IRA INOPS VIRIBVS.