Por: Impuro 666

M.P: Negras Saudações Necrovisceral, inicialmente conte-nos como se deu inicio ao Torqverem, em 1998 E.V. e por que só em 2002/2003 E.V. que a horda veio se firmar no cenário nacional?

- V. A. Necrovisceral: Saudações às almas sedentas pelo conhecimento e envoltas sob o manto do ocultismo! A Torqverem é uma manifestação natural da minha essência, e não vejo separação entre as coisas, pois é a visão que tenho do universo em seus mais profundos e pessoais abismos manifestados em arte e guerra, então coloco a data de início com o primeiro registro físico em 1998 e.v. quando ainda expressava as visões e arte de forma individual para manter a sanidade e atingir novos planos de criação. O segundo momento que citou (2002 e.v.) foi quando “oficialmente” as coisas iniciaram e comecei a formalizar os sons e letras no Rio Grande do Sul e a ideia de assumir um projeto concreto e horda apareceu. O tempo mostrou a potência e o tamanho que a Torqverem poderia atingir como uma verdadeira manifestação bélica caso eu escolhesse os soldados certos para fazerem parte, e foi assim que as coisas foram acontecendo com o passar do tempo.

M.P: Por que Torqverem? Qual o significado do nome? E porque você escolheu o latim para amaldiçoar a horda?

- V. A. Necrovisceral: “Torqverem” acabou aparecendo e dominando naturalmente as composições com as pesquisas e criações de quando formalizei os hinos após 2002 e.v. e tudo começou a se encaixar... Pois seu significado resume a filosofia e ideal que expresso. Ao pé da letra o nome significa“torturando...” ou “...se eu torturar...”, vindo de uma adaptação pessoal do gerúndio de TORQVERE (“tortura”em latim arcaico), ressalto que uso o latim do Império Romano antes da imunda igreja, que é mais cru e direto, facilitando várias das expressões e passagens que crio na horda. O latim acabou se encaixando muito bem no estilo vocal e na energia que manifesto e quero atingir com as criações... Pois é uma língua inconsciente e muito forte em sua expressão, além de ser a raíz do português.

M.P: Fale-nos um pouco sobre os trabalhos lançados pela Torqverem... Desde as demos até o álbum oficial ”Vber Crvciatvs”...

- V. A. Necrovisceral: Desde o início do projeto até a formação da horda sempre tivemos um grande problema com os registros e gravações, tudo foi pessoal e interpretado como “expressão sincera para nós mesmos”, não tínhamos razões para “espalhar” o material, mas com o tempo percebi que os poucos que conheciam estavam tendo afinidade tanto com o som quanto a filosofia, sentindo o mesmo que eu ao absorver a atmosfera densa e perturbadora dos hinos... E foi em 2006 e.v. já com a horda formada que pensei em gravar um material demo para os mais próximos (Funeral da Alma Cristã) limitado e numerado a sangue em 40 cópias, foi uma obra experimental onde contei com a participação do violino clássico nas partes atmosféricas, pois não queria usar teclado ou efeitos que artificializariam a obra. Em seguida foi gravado em estúdio nosso álbum oficial Vber Crvciatvs em meados de 2007 e.v. e finalizado em 2008 e.v. com a mixagem que durou mais de um ano (foi um material também que interpretei como particular e não divulguei até novembro de 2011 e.v.). Nosso som tinha mudado desde a demo Funeral da Alma Cristã, e decidi fazer outra para os irmãos nos conhecerem melhor antes de abrir as portas para o full lenght. E foi aí que gravamos a demo Opvs Infernii em 2010 e.v. com os mesmos sons da primeira em sua forma “atual” limitada a 250 cópias em sangue. E só então o full lenght Vber Crvciatvs foi disponibilizado ao mundo com uma grande parceria e aliados em sua distribuição. Tenho também algumas gravações de ensaios e um “EP” tanto da época do sul (2003 e.v.) e outros mais atuais (2006-2011 e.v.) que pretendo disponibilizar aos poucos como bônus e em materiais restritos futuramente.

M.P: Recentemente a Torqvarem entrou em turnê pelo o Brasil com a horda Finlandesa “Horna”, da qual foram executadas nove celebrações em algumas regiões do Brasil, conte-nos detalhes desta experiência, muitas alianças foram feitas?

- V. A. Necrovisceral: Sinceramente vi o que eu já vejo há muito tempo: Que existe de tudo na “cena”! Muitos “produtores” não estão preparados nem para fazerem churrasco no quintal! Se metem a fazerem eventos, mas não divulgam, não têm apoio e acham que o evento irá acontecer por si só! Sei muito bem que somos underground, mas existe algo acima disso! Respeito, apoio e união (e devem ser considerados ainda mais relevantes dentro da nossa filosofia). E duas coisas que esquecem nos eventos: As bandas e o público! O lugar pode ser um buraco podre e fedido, mas em muitas cidades faltou respeito, apoio e estrutura para as bandas! Até mesmo para o Horna que veio da puta que pariu! E isso reflete no próprio produtor da tour que deveria ter fechado seriamente os contratos e eventos, conhecido e acertado melhor com organizadores comprometidos como a filosofia e proposta da turnê, acreditando no oculto metal extremo e não sendo moleques revoltados com a vida querendo dar uma de anticristo! Vi “produtores” que no final a única importância era contar quanto deu de lucro! Mas falando da tour e da parte que nos cabe, foi ótima pela divulgação da horda e até uma surpresa pelas alianças nos lugares onde nunca esperei ter apoio como no Rio de Janeiro (que foi excepcional!) e no norte do Paraná onde tocamos em um palco pequeno com o público muito próximo (a energia e o público estavam tão próximas que até desligaram várias vezes meus pedais de tanto agitarem, e isso me fez sentir ainda mais orgulho de estar tocando ali, senti a atmosfera do próprio abismo enquanto tocávamos) e claro: Belo Horizonte! Onde temos grandes alianças e como sempre foi uma verdadeira celebração! Em outros locais tivemos também decepções, mas a experiência não teve preço... Isso sim marcou o lançamento do álbum Vber Crvciatvs depois de tantos anos, e fiquei satisfeito em ter aceitado participar da tour que acrescentou muita experiência a nós em todos os aspectos.

M.P: Fora esta turnê, vi que vocês fizeram varias apresentações com grandes hordas do cenário nacional e internacional, há alguma celebração que mais marcou você? Pensa em tocar no Nordeste um dia?

- V. A. Necrovisceral: Acredito que quando tocamos em Curitiba com o Nargaroth e Murder Rape em 2009 e.v. foi uma grande apresentação... Nem tanto pelas bandas que estavam envolvidas lá, mas porque há anos não tocava para um público considerável, e principalmente estando com a base atual da horda (eu e Janvs Necrokramer que está na Torqverem desde 2006 e.v.)... Foi um marco para nós, abrimos o abismo e chocamos a todos que nunca tinham ouvido falar da Torqverem naquele lugar, e o sul é conhecido por ser regionalista, e naquela noite foi uma surpresa a todos uma horda de fora ganhar espaço daquela forma... Sou muito grato a todos, pois foi um evento onde depois de terminada nossa apresentação muitos vieram nos parabenizar pessoalmente. Todas as resenhas e comentários foram positivos, e dali saíram muitas alianças que duram até hoje. Obviamente um dos meus maiores desejos atualmente é tocar no nordeste onde fiz várias alianças, já fui algumas vezes em celebrações por aí, e vi a seriedade com que levam a cena... Seria uma honra participar de um ritual e mostrar nossa arte a vocês, meu contato no nordeste é forte e recebi muitos pedidos do nosso play que foram para a região, acredito que seremos muito bem recebidos em todos os aspectos.

M.P: Sobre mudanças na formação, as mesmas chegaram a afetar a horda de alguma maneira? Qual a formação atual?

- V. A. Necrovisceral: Afetaram drasticamente! Tanto que melhoramos e evoluímos tão rapidamente sem eles que se eu soubesse teríamos expulsado antes! Cada membro da horda é um soldado que possui determinada e única função! “Perdemos”tempo e energia ao adaptarmos as coisas para a expressão individual de um ser que está do nosso lado e não acredita na filosofia e ideais que defendemos! Esta guerra por si só já seria solitária, e na Torqverem agimos de forma convergente onde cada membro traz sua experiência abissal e individual que com o tempo tornará possível atingir a coletividade única para a expressão de nossa arte! Valorizei ainda mais a base com Janvs Necrokramer, e fechamos a Torqverem para outros que poderiam entrar futuramente (esse foi o critério que usamos para a entrada do contrabaixista Iser que nos surpreendeu e atualmente faz parte da horda). Ficamos praticamente um ano tocando apenas eu e Necrokramer pensando que seriamos uma banda de estúdio quando Iser apareceu fechando a atual formação. Hoje sou eu na guitarra e vocal, J. Necrokramer na percussão e Iser no contrabaixo.

M.P: Quais as influências da Torqverem? Tanto líricas como sonora?

- V.A. Necrovisceral: As influências da Torqverem são meus abismos, labirintos psicológicos, astrais e a maneira como observo o mundo e o universo de forma ampla e natural, passando pelos diversos planos e constituições do “existir”...Na verdade a Torqverem é a forma como interpreto a realidade... É energia de criação na forma mais sincera que se pode enxergar de si mesmo na manifestação física (arte, som, letras...). Trago uma sinfonia tanto na criação lírica quanto sonora onde procuro reverberar pelos planos onde desejo (destrutivos, caóticos e de criação, onde cada ser interpreta individualmente de acordo com sua afinidade... Portanto nosso som chega ao ponto de ser tão íntimo que dependendo de quem absorver poderá ser um suicídio interno ou uma forma de evolução e auto conhecimento). Exalto e reprimo determinadas ondas ou impulsos durante meus hinos... Atingindo a mesma intensidade de quando compus, isso pra mim é o Oculto Metal Extremo, é Black Metal... É arte, força e filosofia unidas por um propósito.

M.P: Como anda o cenário Headbanger ai em São Paulo? Muitas celebrações? Destaque algumas hordas que tem o apoio da Torqverem...

- V. A. Necrovisceral: Acredito que as coisas melhoraram um pouco nos últimos anos... Mas não sou muito ligado a “cenas”, faço minha parte e dou atenção a alguns poucos aliados que acredito e estou criando com o tempo... Nunca fui muito bom nessa parte “social”, sou próximo e fiel aos poucos amigos e irmãos. Vejo aos poucos as celebrações acontecerem e voltarem assim como focos de resistência lutando não só em SP, mas pelo Brasil todo, pois as circunstâncias e o tempo separam quem é “embalo”de quem realmente quer produzir e manifestar algo na arte oculta. Estou sempre de olhos abertos, pois o tempo é a melhor ferramenta para mostrar quem é quem e unir os aliados do mesmo lado da guerra. Hordas aqui em São Paulo têm muitas que mostram sua fidelidade, coerência e luta... Poderia citar algumas na ativa (não dizendo que são as únicas) como: C.R.U.E. (antigo Bestymator e aliados do Legião M.C.), Mausoleum e Wodanaz...

M.P: Faça-nos uma reflexão sobre o mundo atual...

- V. A. Necrovisceral: Cara, pra mim o mundo caminha de forma desalinhada, onde o centro particular de cada um e das coisas se perdeu, pois antigas civilizações trabalhavam com a filosofia, medicina, psicologia e matemática em uma ciência natural única... Era a pura observação do universo! E isso se dava em diferentes áreas do mundo desde aborígenes e em civilizações consideradas mais avançadas para a época (mais que nós em alguns pontos, pois em tese era para estamos mais avançados em TODOS os pontos). Guerra, escravidão e submissão sempre existiram... Mas esse verdadeiro “genocídio cultural” que foi feito principalmente em nome de um deus mostrou a capacidade que o ser humano tem pela autodestruição! Evidenciou o comportamento natural de jogar-se sem piedade no abismo profundo da ignorância! Comportando-se como rebanho... Mas em minha visão existe importância nisso: Separar os suscetíveis e fracos dos que fazem resistência e direcionam sua força no questionamento e compreensão da vida e universo! A história mostrou que são muitos soldados para poucos comandantes. Sinto ódio não só pelas religiões, mas pelo próprio ser humano que as criou! Se não fosse o ser humano as religiões não existiriam e milhões de “ovelhas” não estariam enriquecendo os cofres de semianalfabetos que pregam esperanças a um bando de condenados buscando piedade! Por isso acredito que um grupo muito pequeno de pessoas que possui desde seu nascimento a curiosidade e o sabor pela existência fazem o diferencial, e isso não se aprende, não lê em livros ou se entende ouvindo “Black Metal”! Muitos são revoltados e querem ser “do contra”!Nessa “cena” a maioria viu suas famílias adorando a armadilha do fraco e porco deus judeu\islão\cristão e por um ódio familiar\social “caiu” no Black Metal! E isso acontece em muitas coisas... Vai muito além de qualquer questão ideológica de“cena” ou merda que muito poser prega e nem sabe! É algo individual! E essa é a razão de eu produzir minha arte individualmente em primeiro lugar e por meus irmãos que dividem a horda. E quem sentir afinidade é bem-vindo.

M.P: Costuma ler? Quais livros você destacaria aos leitores deste profano pergaminho?

- V. A. Necrovisceral: Sinceramente não costumo ler muito... Não tenho tempo, o que leio é porque preciso em literatura principalmente técnica, mas pesquiso bastante para fazer as letras da horda a área do ocultismo, história, psicologia\psiquiatria, origem das civilizações, línguas mortas e dialetos, passando também na mitologia e tudo que envolve a concepção do pensamento humano e suas formas de interpretação, acho muito particular destacar um título, na verdade acredito que o maior título de todos é a própria observação da vida... Pois não existe livro ou texto que faça alguém nascer homem e ter honra, a partir disso os títulos dos livros corretos irão “aparecer” para a pessoa... Muitos possuem apenas conteúdo mastigado e repetem frases prontas escorrendo merda pelas orelhas.

M.P: Sobre os fanzines impressos, qual a importância deles no seu ponto de vista?
Recomenda algum?

- V. A. Necrovisceral: Acho que os zines e divulgações no underground extremo são todos válidos, principalmente por esse ser um meio onde apenas quem realmente quer e gosta acaba dando certo e ficando, os podres vão aparecendo e caem com o tempo... Pessoalmente prefiro os zines impressos por serem mais fáceis de manusear e arquivar as informações das bandas e o que mais for divulgado. Por mais que a internet seja uma ótima ferramenta (e eu também apoie zines“virtuais”), o problema é que as coisas não são físicas e podem não ter a mesma responsabilidade que o zine impresso (já vi muita banda de falso falar uma coisa em um dia e outra mais tarde de acordo com a conveniência, e isso pode ser manipulado se estiver apenas na internet...). Existem muitos zines impressos pelo Brasil que apoio e de certa forma acompanho... Como o Epitáfio, Black Imperium, Revelações Abissais, Sepulchral Voice, O Arcano Nove, Deserto de Seth e Lucifer Luciferax.

M.P: Em sua opinião como podemos acabar com o câncer da humanidade (o cristianismo)?

- V. A. Necrovisceral: Vejo a religiosidade exatamente como comentou: “um câncer”, porque isso demonstra a fraqueza individual e submissão de rebanho! Afagando os corroídos egos e inexpressivas almas! Mas antes de discutir a religião (já que não culpo apenas a cristã), enxergo a responsabilidade disso tudo aos seres“inteligentes” e infelizes criadores desse verdadeiro estigma, indo na base também judaica! Pois qualquer religião que pregue fraqueza e submissão, alterando o curso natural para atingir interesses e privando seus membros da evolução ou da curiosidade mostra para quê e quem foi feita! Fica claro que apenas uma massa acéfala e preguiçosa necessitava de tal crença! Pois já arrastavam seus corpos em direção à morte, e seria “lucro” fazer a mesma coisa, mas para encontrar seu deus salvador! A responsabilidade da popularização da religião vem da parcela humana que quer servir de degrau na escada da evolução! Observe a humanidade, e ficará claro que poucos possuem a vontade de realmente estarem vivos (isso quando possuem consciência)... Como conclusão posso dizer que vejo a religião como uma verdadeira doença psicológica, onde buscam força em algo coletivo e ausente de questionamento em vez de conhecerem a si mesmos descobrindo todo o universo a que fazem parte. Em minha opinião é questão de evolução natural o desaparecimento das religiões... Senão teríamos uma prova de que a raça humana não está apta em continuar existindo... E em meu universo, no meu círculo, faço minha parte e luto pela evolução e força! Limpando e execrando qualquer sinal de fraqueza com minha arte... E os que possuem afinidade, por natureza irão se aproximar e fortalecerão o exército!

M.P: O que é o Metal Negro para Torqverem?
- V. A. Necrovisceral: Metal Negro em minha opinião é muito mais do que apenas uma arma contra a religiosidade... É o contato com a própria natureza humana através das reais artes do ocultismo em sua busca por autoconhecimento e evolução dentro da destruição e renovação universal... Mas exatamente por ter um significado tão abrangente que muitos tipos de expressão cabem nesta oculta manifestação chamada “Metal Negro”, desde a pura blasfêmia e caça aos porcos religiosos até a profunda introspecção e absorção energética. Particularmente vejo o Metal Negro como uma arma de separação entre os ignorantes que não estão prontos para a humanidade em sua raíz e os fortes que dão valor a existência através de uma profunda guerra interna de sobrevivência e caos! É o canal de expressão onde encontro os meios para fundir desde a bela até a dilacerante manifestação a fim de atingir a arma máxima exaltando a visão que possuo do universo.

M.P: É com muita honra que quero encerrar esta entrevista, quero lhe agradecer pela a atenção e também quero saber quais os planos para o futuro próximo da horda? Fica aqui o espaço para que possa passar sua mensagem aos headbangers apreciadores da velha arte! Força e honra sempre...
- V. A. Necrovisceral: Primeiramente gostaria de agradecer o espaço e oportunidade para expressar um pouco sobre a horda e nossa filosofia... Estamos na guerra oculta há vários anos para mostrar uma arte sincera e direta! E como já disse: Apenas aos que tiverem afinidade... Portanto nosso caminho no momento está direcionado a expressar a arte e compensar a ausência de materiais e divulgação, pois nossa manifestação é única e muito poderosa aos que conhecem o abismo e estiveram face a face com os mais infames planos da criação. HAIL TORQVEREM! FORÇA AO OCULTO METAL EXTREMO.