01)Hails Torqverem! Necrovisceral, o que pode nos relatar sobre toda a trajetória da horda desde sua criação em 1998 ainda em Araraquara? Passando por meados de 2002 em Porto Alegre até chegar aos dias atuais na cena underground?

- Saudações! É muito complexo falar sobre a manifestação da Torqverem, iniciando pelo simples fato de que hoje percebo que o projeto estava na minha vida a mais tempo do que o próprio título. No ano de 1998 e.v., ainda em Araraquara-SP, compunha de forma isolada os primeiros acordes e gravações com o propósito de registrar todo um universo de experiências. Identificando e atacando os níveis da realidade, expressando visões pessoais do ocultismo e sombras do inconsciente. Por volta de 2002 e.v., em Porto Alegre-RS, a idéia tornou-se mais coesa e concreta até pela liberdade e contato maior com meus abismos. No Sul encontrei experiência prática, e algumas pessoas que auxiliaram a dar o “corpo” que estava faltando musicalmente. Uma única vez nos apresentamos em Santa Cruz do Sul no ano de 2005 e.v.. Mas apenas após retornar ao sudeste (distrito de Sousas-SP) com a revelação de toda uma história e com a canalização do ódio que me consumia que a Torqverem pôde iniciar a expressão atual. E posso dizer que o caminho temático igualmente foi alcançado e lapidado somente com a fixação da horda que deixou de ser um projeto a partir de 2007 e.v. (com a entrada de Janvs Necrokramer e Covnt Noctvlivs em 2008 e.v.). O triângulo foi fechado, e hoje pessoalmente posso dizer que temos a oportunidade de explorar os mais ocultos universos e expressões dentro da horda e do Black Metal. 
 
02) As letras da horda são em Latim e partes em Português. De acordo com a biografia oficial escolher o latim como a língua predominante, e fixar o nome Torqverem foram mistérios que contaram com uma manifestação em especial. Por qual motivo vocês optaram pelas letras em tais idiomas? Como você sente a receptividade das pessoas com relação a essa escolha da Torqverem?

- Depois de canalizadas, as idéias e manifestações energéticas são passadas para o “papel”, e toda essa energia bruta (derivada de diversas fontes, tanto psicológicas quanto astrais) passam pelo meu atual corpo até chegarem ao mundo externo, então nada melhor que o português para expressá-las. Mas em trechos cerimoniais específicos de fúria e torpe, o latim entra em ação para aproximar-me da origem de muitos dos meus estudos e deixarem fluírem melhor as ondas que desejo causar nas criações e destruições da obra – Vale lembrar que o latim que usufruo é o arcaico, não o popular usado nas missas e difundido pela igreja. Faço tudo isso em primeiro lugar para deixar explodir toda energia que flui pelo meu ser e os que se aliam para o mesmo propósito, não divulgo minhas letras integralmente, mas alguns poucos guerreiros que me procuram para conversar sobre a temática, converso diretamente. Em poucas passagens uso outras formas de comunicação também, como de civilizações antigas da região da Mesopotâmia, Egito e Mediterrâneo – tudo para canalizar a energia da cerimônia de forma direta e hermética.  

03) Qual a importância da parte lírica da Torqverem no trabalho da horda?

-  A temática em geral expressa exatamente o que o nosso som deixa no ar... A corrosão do Ser de forma coletiva e o empirismo. Resumindo, é a filosofia de vida da evolução individual mágica, acabando com o pensamento coletivo canceroso de qualquer forma que seja (religioso, moralista, egoísta, convencional, etc...)  exaltando o Ser. Para isso é necessário causar o caos e a corrosão do corpo psicológico \ energético moribundo que está acorrentado aos próprios dogmas, assim abrindo os mais obscuros abismos individuais do ser. Meu propósito é também exaltar a fúria dos similares nesta guerra e causar mais caos na existência dos não preparados.

4) A horda sofreu algumas alterações de integrantes desde sua constituição. Chegou até a conter em seu line-up uma vionilista por um período e gravar a demo “Funeral da Alma Cristã” (2008). Conseguiu alcançar seus objetivos musicais com a inserção do violino em suas composições? Qual é a formação atual da Horda Torqverem? 

- Sim, o projeto em seu início (no Sul) era mais cru, possuía uma temática mais simples e tradicional do Metal Negro, mas com o passar do tempo e a complexidade das experiências e dos fatos decidi por algo diferenciado. (em minha opinião Black Metal vem da alma, uma expressão que transcende o “ser ou não ser” e pode se expressar de diversas formas, através de textos, pinturas, afinal cada um expressa o que estiver mais próximo de sua realidade e natureza). E acabei por escolher uma atmosfera sombria na então  recém horda, que refletisse o momento da criação... E optei pelo violino. Gravamos uma demo com sons antigos acrescentados de violino, mas por divergências internas e não adaptação do som acabei transformando e evoluindo a Torqverem no que ela é hoje... Mas mantendo um pouco do que era a atmosfera em meus vocais. Com Janvs Necrokramer na percussão e Covnt Noctvlivs no contrabaixo, os elementos e a energia que faltavam foram enfim encontrados para complementar os hinos que trouxe do passado, e novos então começaram a ser criados (como já comentei em outra questão sobre a fixação deles na horda).

5)A Horda possui apenas uma demo oficial "Funeral da Alma Cristã". Qual é a previsão do próximo lançamento? A Horda possuí gravadora? Quais são os planos para o ano de 2009/2010?

-  Além de “Funeral da Alma Cristã” (que foi limitado em 40 cópias), tenho um outro material gravado do ano de 2004 e.v. que pretendo aos poucos divulgar diluído nos próximos, mas estou trabalhando no lançamento da nossa “demo oficial” intitulada “Opvs Infernii”, que sairá em meados de outubro. Nosso som atual que está bem diferente da anterior, e em 2010 e.v. será o lançamento do nosso álbum completo, contendo 11 hinos e intitulado de “Vber Crvciatvs”, que não tem gravadora, tudo até hoje lancei independente. No Black Metal vejo muito pouco (ou nenhum) apoio, e meu ódio e seriedade com meus materiais me mantiveram assim.

6) Como vocês observam a proliferação de temáticas alheias ao satanismo/anticristianismo na cena underground nos últimos anos? 

-  Eu vejo isso como expressão da fraqueza humana... O desespero do ser buscando algo para se agarrar. Eu me delicio com freiras e pastores orando e chorando por jesus, vendo a corrosão do ser “humano” corrompendo sua natureza, caindo em abismos e derretendo entre ossos e lâminas frias... Alcançando seus infernos interiores a cada noite quando vão dormirem, suas atrofiadas genitálias pingando a cada ato sexual que não é consumado por culpa de suas criações e medo da natureza que não podem expressar. É uma honra ser um dos que herdam o verdadeiro reino... Eles serão apenas mais carne para nosso churrasco... Não me preocupo com eles. Enquanto isso trabalho para meu exército... Eles estarão orando por suas almas.  

07) Qual sua opinião a respeito de ideais políticos serem difundidos na cena underground? Em seu site podemos conferir um manifesto sobre nazismo e questões externas. Qual o objetivo de tal manifesto?

- O Black Metal é uma expressão filosófica e espiritual, uma idéia de vida que se expressa através de nossos hinos e celebrações. E acredito que misturar  política em nosso meio é algo que não combina. Já existem expressões musicais para tais fins como o punk ou o R.A.C.... Enganam-se os que dizem que é Black Metal a banda que fala de política, pois ela pode ter sonoridade semelhante à nossa, mas suas letras estão falando de idéias particulares e direcionadas de seus idealizadores. A política direcionada sem fundamento é como religião, apenas uma forma de separar e controlar a população. Todos pessoalmente podem e devem ter suas posturas políticas, mas de modo algum devem misturar com a expressão do Black Metal... Porque infelizmente parte da política ainda baseia-se em fundamentos religiosos, estando distante do utópico Estado laico. Posso comentar que já fui alvo de seres que não possuem um mínimo de questionamento e fui acusado de nazista (nem neonazista foi... Que seria o termo correto, falando como um estudioso de História posso dizer que Nazismo em si foi um movimento na Alemanha na qual não deu certo e terminou com Adolf Hitler...). Antes de me chamarem de qualquer coisa deveriam conhecer o assunto ou saberem da minha vida, pois vocês que apontam o dedo são os primeiros a estarem próximos do lixo que tanto pregam ser a escória desse maldito mundo seu bando de acéfalos rastejantes. Posso dizer apenas que com esse episódio descobri quem realmente presta e veio conversar diretamente comigo e saber dos meus ideais e quem era mais carne para o abate nesse curral de vacas que saem correndo uma atrás da outra cheirando o traseiro da frente.
 

8) Você reside próximo a Campinas. Mantém muito contato com a cena local? O que poderia dizer sobre ela e sobre a do Brasil em geral?
- Eu não acredito em “cena” propriamente dita... É muito engraçado que os únicos aliados que tenho é os que não fazem parte da dita “cena Black Metal”, a verdadeira cena é paralela da “popular”, porque a que “aparece” não faz nada pelo Black Metal e apenas aponta seus sujos dedos em direção a quem está lutando por uma verdadeira união e liberdade pelo nosso ideal. A desunião é evidente, vejo muita atitude hipócrita  (usando a palavra mais familiar: atitudes “cristãs”) nas pessoas que são frustradas em suas vidas e tentam frustrar umas às outras, encontrando conforto em uma masturbação da decadência... Reclamando e questionando o motivo de não irmos para frente. Vejo o Brasil como um vasto campo de guerra, com fronts que ainda estão vivos e sedentos de vitória... Minha meta é fazer a conexão com todos os “fronts” e fazer uma artilharia em massa na cena underground. Existem poucas ilhas de verdadeira “cena”, em primeiro lugar trabalho por mim e pela minha liberdade, pois sem o Black Metal e a liberdade de expressão o meu ser estaria sem condições psicológicas de viverem neste plano! E posso dizer: Quem estiver comigo e quiser lutar por este ideal que esteja ao meu lado, dê sua vida e eu darei a minha igualmente.  

9) Você atua ativamente na organização de algumas celebrações e com destaque no último ano, para a tour do Nargaroth no Brasil e o Wisdom em Campinas. Quais as dificuldades encontradas neste contexto enquanto organizador? É possível dizer que houve uma evolução nos últimos anos?
- Durante muitos anos estive apenas compondo de forma solitária e agregando valores. Assim como ideais... Sem participar de forma “coletiva”. Ia a celebrações e eventos da “cena” para aprender, tanto no sudeste quanto no sul, e sempre tive uma meta com essas minhas observações: Que quando pudesse (e tivesse condições tanto financeiras e psicológicas) iria aplicar os meus conhecimentos, empenho e ódio que me consumiam na filosofia que sempre acreditei. Na liberdade do ser humano e nas artes ocultas de sua real natureza ( o Black Metal). Assim quando tive oportunidade comecei a agir, e consegui fazer várias alianças. E hoje apóio como posso as celebrações e eventos na região e fora dela para fortalecer os aliados e todos que acreditam em nossa causa... A maior complicação são os falsos que olham de fora e acham que estou fazendo algo para benefício próprio, sendo que não ganho nada com meus eventos e celebrações. Não tem nexo apontar e criticar dizendo que não existe espaço ou que não têm apoio, e ainda ficarem perdendo tempo de ferrar quem apóia e faz alguma coisa... Tem que ter problema mental ou uma herança de criação perturbada em suas mentes para refletirem todo esse lixo. Não consigo dizer se piorou ou melhorou, acredito que o ser humano sempre teve esse comportamento egoísta, invejoso e de destruição.  A maioria ainda tem muito do que mais odeia dentro de si, não encontrando base nem estrutura para estarem dentro da tão orgulhosa “cena Black Metal” que pregam. Seria mais fácil reconhecerem suas depressões ou problemas familiares e irem à igreja... Black Metal é liberdade e força, e não fraqueza de espírito.

10) Qual sua visão sobre a evolução que o Black metal tomou nos últimos anos? Realmente Evoluímos ou retrocedemos?
- Em minha opinião o Black Metal está evoluindo em uma parte por poder agora ter a oportunidade de profissionalizar suas áreas e estar mais organizado, podendo se expressar como uma organização e tendo ramificações em vários setores corporativos... Eu trabalho duramente pelo Black Metal, criando parcerias e futuramente cooperativas em benefício das nossas celebrações e informação. Como por exemplo, a criação de sites, a estamparia que faz nossas camisetas, a gravadora, o estúdio, a organização dos eventos... Tudo trabalhando em benefício do Black Metal como uma união para tudo trabalhar como uma empresa para não afundarmos nesse rio turbulento que sempre está contra nós. O que está contra é a falta de empenho de quem está na nossa “cena”, a falta de união e os falsos e vermes infiltrados e “cristãos Black metals” (é isso mesmo... Há pouco tempo sofri ataques de “Black metals” ligados a White metal! Vindos do interior de SP, onde colocaram flyers de celebrações puramente Black Metal que eu organizei, em profiles de orkut cristãos... Isso qualquer um pode fazer! Orkut e internet é “terra de ninguém”!). Essa foi a prova de quem tem muita sujeira ainda a ser limpa em nosso honrado Black Metal... Só rindo de uma escória dessas. Não tenho nada a dever, e a verdade logo foi esclarecida. O Black Metal é algo para homens, e não dedicado a crianças mentirosas querendo se auto-afirmarem.

11) Hails! Considerações finais...
-  Saudações!!!! Gostaria aqui de agradecer a oportunidade de poder expressar um pouco dos meus ideais no Black War, e parabenizar quem ainda luta por nossa guerra e incentiva quem trabalha e faz parte do movimento em favor da nossa filosofia. A Torqverem está viva, e aqui para trazer a morte do que já não é mais necessário. HAIL.
- VANA EST IRA INOPS VIRIBVS.