Entrevista: Torqverem
Impaled Christ Zine #2

I.C.Z. – Saudações “V. A. Necrovisceral”. É uma grande honra para o Impaled Christ Zine, entrevistar a horda Torqverem. A principio conte-nos os relatos de guerra da Torqverem.

V. A. Necrovisceral - Primeiramente, saudações para todos vocês: guerreiros que apóiam de alguma forma o underground nacional... A Torqverem é muito mais do que uma expressão musical e ideológica, é uma forma psicológica e uma filosofia... Uma visão para lidar consigo mesmo e com o mundo externo... Resumindo, tentamos expor a verdadeira natureza individual humana, sem artifícios... Os hinos, as letras... Tudo trás alguma experiência humana embutida, alguma energia intrínseca ao sentimento dos acordes e das batidas... Tudo para criar uma harmonia para sua própria reflexão perante as trevas, e que cause o funeral da consciência coletiva...

I.C.Z. – A Horda Torqverem surgiu em meados a 1997 E.V., por ela já se passaram vários guerreiros, conte-nos os guerreiros que passaram pela horda e a atual formação.

V. A. Necrovisceral – A Torqverem sempre foi um projeto meu... Mas não tinha nome definido... Possuía algumas gravações na guitarra e letras anotadas em um caderno. As batidas eram improvisadas na casa de outras pessoas que conhecia... Tudo bem rudimentar... Foi quando em Porto Alegre (aprox. em 2002 e.v.) o Profaner que toca na banda Morterix me ajudou a compor algumas batidas na bateria, que hoje não fazem mais parte dos hinos atuais... Mas guardo as gravações. Após isso, Alex (Lord Babu Asmodeus) concretizou o nome Torqverem e deu apoio intelectual para mim. E em 2005 e.v. o uruguaio Sebastian que toca na Karkadam e na Luctiferu assumiu o contrabaixo para tocarmos em uma apresentação... Eu nunca fiz questão de aceitar membros na Torqverem, por saber da importância do projeto, e aguardar por guerreiros que realmente vivessem o espírito que estou disposto a apresentar. Mas depois que voltei para São Paulo decidi iniciar uma nova fase... E foi quando encontrei a Mistika Necrolunna, atual violinista... Que trouxe a atmosfera que eu necessitava, e a liberdade de criação que a Torqverem tanto clamava com o instrumento clássico. E logo depois o baterista Janus Necrokramer uniu-se a nós... Dando novos ritmos aos hinos...  E estamos em vista de um baixista, que em breve será anunciado.

I.C.Z. – Quais as influências musicais e líricas que a horda?

V. A. Necrovisceral - A influência musical nossa é muito variada... Assim como meu gosto, muitos projetos independentes de suas ideologias me chamam muito a atenção... Como Vargsang, Funeral Forest, Infaust, Xasthur, Bathory (antigo)... Mas quanto à influência lírica, minha ênfase é o empirismo mesmo... Não gosto de nada teórico, raramente coloco citações literárias, somente para reforçar algo que eu mesmo cheguei à conclusão. Mas os assuntos que abordamos são referentes ao caos humano, e tentamos fazer a destruição do coletivo para chegar à individualidade obscura... Adentrando nos teus próprios abismos... Para se defrontar com teu verdadeiro ser... Com a escuridão e a frieza da lâmina que fazemos no nosso som... É nossa inspiração.

I.C.Z. – Já falando da temática da horda, vocês falam em “Misantropia Intelectual”, o que definiria isso pra você?

V. A. Necrovisceral – “Misantropia Intelectual” foi um termo que criei para definir o que tento passar embutido nas letras da Torqverem e que eu sigo em minha vida para manter a sanidade e meus pensamentos limpos e a salvo da “poluição externa”. Diferentemente da misantropia clássica que é impossível de ser seguida (a não ser que se viva no alto de uma montanha ou em uma floresta até o final da vida...), a misantropia intelectual é uma mistura de individualismo com auto-proteção, em que cada um deve ser seu próprio universo e defendê-lo com a vida. Primeiro criar sua base para depois confrontar com a do próximo... E não o inverso como acontece vulgarmente... Vejo o mundo externo cheio de vícios cristãos embutidos (não todos são exatamente da religião cristã, mas chamo assim para englobar em um grande grupo... Contendo embutidos comportamentos como machismo, ignorância, inveja...), então é uma guerra viver em um mundo onde praticamente tudo tem uma involução do ser... Então a mente tem que ter um escudo, e tentar absorver apenas a essência dos fatos... Isso é Misantropia Intelectual... A separação filosófica e intelectual que protege a mente sã do mundo canceroso que corrói o pensamento.

I.C.Z. – Atualmente a horda lança sua demo intitulada “Funeral da Alma Cristã”, o que poderia nos relatar deste trabalho?

V. A. Necrovisceral – Nossa demo é apenas o início de um trabalho de destruição do pensamento humano vulgar que corrói o ser individual... “Funeral da Alma Cristã” ao pé da letra significa a morte do espírito ridículo da moral cristã que existe na sociedade... Do pensamento canceroso que predomina em nosso mundo, e a destruição do fanatismo... Queremos colocar quem estiver ouvindo nossos acordes e os gritos de agonia e desespero de frente com o medo e a escuridão, com o lado que dificilmente prestamos atenção no dia-a-dia, mas ele está lá... Captando sua energia e devorando seus medos e desejos... Eu almejo o funeral do conceito de “alma” que existe vulgarmente, para trazer reflexão sobre o ser individual e seu lugar no universo... E o álbum foi todo gravado como tem de ser, artesanalmente... Na minha própria casa... Na escuridão da nossa própria existência e deixando as energias fluírem com muito álcool como catalisador... Da forma mais humana possível...

I.C.Z. – Como definiria a sonoridade desde trabalho a quem ainda não chegou a ouvi-lo?

V. A. Necrovisceral – Que nosso som é agressivo e frio, mórbido e perturbado... Tocamos um Black Metal Extremo sincero... Ele é bem direto e cru, mas também obscuro, que cabe a cada um julgar como desejar, afinal ele pode ser interpretado, porque possui passagens de terror e atmosféricas onde entramos em sintonia com o psicológico... Essa é nossa intenção: Entrar na vibração do ser interior obscuro de cada um, e trazê-lo para fora aos poucos, provocando terror e paralisia aos fracos, e reflexão sincera e solitária aos que tiverem afinidade.

I.C.Z. – Algum Selo/Distro envolvido na distribuição deste material? Ou como está sendo feita a distribuição do mesmo?

V. A. Necrovisceral – Não, estou distribuindo tudo por conta própria e com o auxílio dos outros integrantes da horda. Somente após a gravação nosso álbum completo (que sairá até o final do ano), pensarei em aceitar alguma proposta... E agora as cópias da nossa demo já terminaram. Ajuda sempre é bem bem-vinda, mas quero ter conteúdo e infra-estrutura, e farei meu melhor caminho até lá.

I.C.Z. – Quais mensagens a Torqverem vêm a querer passar em seus hinos?

V. A. Necrovisceral – Falando de modo geral, resumindo as minhas metáforas e as histórias das letras nos hinos, a Torqverem aborda a corrosão do ser e os valores em geral que enfraquecem a raça humana... Tentamos passar uma mensagem da visão que temos sobre o ser humano sob um aspecto psicológico, energético e espiritual... E a involução que doutrinas como a judia, a cristã e agora por conseqüência a muçulmana, por exemplo, estão trazendo para nós... Mas a ignorância também é um fator muito forte, que faz esses dogmas ainda permanecerem estagnados em nossas mentes e sociedade. Então acima de tudo exaltamos um retorno para nós mesmos, um retorno para o isolamento e o início de uma guerra interna dentro de cada ser que deseje ser chamado de “Humano”... De uma forma simples e resumida, claro. Pois uma guerra apenas poderia se iniciar de forma individual primeiramente...  Um passo de cada vez.

I.C.Z. – O que acha no cenário nacional atualmente? Acha que está se fortalecendo a cada dia ou ainda tem muitos vermes deturpando o mesmo?

V. A. Necrovisceral – Eu ainda sei pouco do cenário nacional... (e muito menos do mundial), mas começo a enxergar alguns pontos construtivos muito importantes aqui... E em estados que nunca imaginei terem alguma produção no Black Metal. Faz pouco tempo que comecei a mostrar o trabalho da Torqverem para outros que não fossem tão próximos, e o apoio já começou... E estou satisfeito. Somos um grupo de elite, o Black Metal teoricamente era para ser feito apenas dos mais fortes e dos que desejam a liberdade, seja qualquer que seja o aspecto dela... Mesmo através da destruição ou da morte (mas esse não é o assunto, estou sendo amplo), mas muitos caem na cena por exclusão ou para se aproveitarem... O pouco que vi já me mostrou um pouco desses seres, mas uma cena forte e unida cuida disso. E o tempo ou a morte leva esses inúteis para longe dos verdadeiros. Até agora o que vejo é uma cena que tenta se criar e unir, mas que ainda possui muitos aspectos negativos como fragmentação e falta de empenho da parte da maioria... Vejo que meia dúzia trabalha para andar o país todo... Mas parece estar melhorando... E eu vou fazer minha parte.

I.C.Z. – Quais hordas do cenário nacional têm o negro apoio da Torqverem?

V. A. Necrovisceral – Sinceramente, há pouco tempo estou me abrindo para o cenário externo... Então ainda não tenho como citar com toda certeza quem tem nosso apoio, pois desde quando estive no Sul, e aqui no Sudeste conheci alguns projetos que eram bons, mas pessoalmente os integrantes deixavam a desejar... E assim o ideal da horda se vulgariza, então preciso conhecer também pessoalmente os integrantes para ter plena confiança no ideal da horda. Mas seria injusto eu deixar de citar aqui quem nos apóia, que são os guerreiros e guerreiras da escuridão que estão espalhados pelo Brasil! Que de todos os cantos apareceram que eu nem imaginava! Todos vocês têm nosso apoio! Dos selos, zines, artistas, e das hordas que estou a conhecer! E claro, vocês que lutam para erguer a cena do Black Metal em um país com todas as adversidades que encontramos... Que já culturalmente e financeiramente temos deficiências, estamos infestados de aproveitadores, mas quem é firme mostra o orgulho e o motivo de ser Black Metal, que vai para a vida toda... É um ideal a ser realizado... Saudações!

I.C.Z. – O que a horda acha na cena nacional o termo Nazismo? Que por muitos hoje vêm sendo utilizado.

V. A. Necrovisceral – O Nazismo foi um modo político que não deu certo na Alemanha... E evidentemente não tem a mínima chance em um país como o nosso. Mas eu acredito que todos têm o direito de expressarem as idéias em que julgam serem as melhores... Mesmo eu vendo que essa onda de Nazismo virou moda atualmente... E está cheia de pessoas que se vivessem na Alemanha na época do verdadeiro campo de concentração seriam as primeiras a serem mortas!

I.C.Z. – Há algum site onde quem não conhece o som da horda, poderia estar conhecendo?

V. A. Necrovisceral – Sim, temos myspace: www.myspace.com\torqverem e também nossa caixa postal para contato: Cx. Postal: 2077, CEP 13.106– 970, Sousas – Campinas – SP., em nome de Necrovisceral – Torqverem.

I.C.Z. – Fico satisfeito com as questões aqui tratadas. Agradeço mais uma vez pela entrevista. Deixo-lhe um espaço para suas palavras finais. Força e Honra Torqverem!!

V. A. Necrovisceral – Agradeço o espaço para poder expressar um pouco do que a Torqverem é... Pois este é apenas o início dos nossos funerais da criação... Onde repousam os verdadeiros e odiosos abismos profanos... Saudações para as artes do verdadeiro Metal Negro! E saudações para o Impaled Christ!  “VANA EST IRA INOPS VIRIBVS”

O Impaled Christ Zine agradece a atenção e apoio!

Baphomenum Antichrist